Problemas na produção ou na qualidade da lágrima podem provocar ressecamento na superfície ocular, a exemplo da córnea e da conjutiva, doença conhecida como síndrome do olho seco. A anomalia é causada por diferentes fatores, como o ar-condicionado e o uso contínuo do computador que tem se tornado cada vez mais comum, seja no trabalho, na faculdade ou em casa, e que reduz a quantidade de vezes que o olho pisca.
A síndrome, também chamada de Ceratoconjuntivite Sicca ou Síndrome de Sjofren, é causada por uma série de fatores como idade, doenças reumatológicas e autoimunes além de doenças surgidas nos próprios olhos. De acordo com a oftalmologista Myrna Serapião dos Santos, a enfermidade é uma doença multifatorial.
“Pode resultar de fatores internos, como idade, doenças reumatológicas e autoimunes, além de doenças endócrinas. Condições locais, como a inflamação da pálpebra chamada blefarite, condições externas, como o uso de medicações como anti-hipertensivo, anti-histamínicos e fatores ambientais, como condições de baixa umidade do ar também podem ocasionar a doença”, informou Myrna.
Entre os sintomas da doença estão olhos vermelhos, sensibilidade à luz, ardência, irritação e lacrimejamento na região, sensação de areia nos olhos, visão embaçada no final do dia, dificuldade de permanecer em locais que possuem ar-condicionado.
Caso não seja tratada, a síndrome do olho seco pode o ocasionar sérios problemas como o surgimento de úlceras de córnea estéreis ou infecciosas e até levar à cegueira.
“A redução da lágrima pode causar diversas afecções oculares, desde as mais leves, como conjuntivites e blefarites, até as mais severas como ceratites secas que podem levar à cegueira” alertou o oftalmologista Ruy Cunha.
Por ser um processo crônico, a síndrome do olho seco deve ser tratada continuamente, ou de acordo com orientação médica. Normalmente, o tratamento da doença é feito pela utilização constante de colírios de lágrimas artificiais, com o objetivo de hidratar e manter a superfície ocular lubrificada por mais tempo.
Prevenção
 
Os colírios também são os responsáveis pela prevenção da doença. O ideal é que uso do lubrificante ocorra diversas vezes por dia, ao expor a visão à situações ambientais que favorecem a evaporação precoce de lágrimas, como em locais de baixa umidade.
Apesar de ser comercializado sem prescrição médica, o uso de lágrimas artificiais é indicado apenas após a recomendação de um especialista. Segundo Myrna Serapião, existem colírios com mecanismos de ação diferentes, que são indicados para diversos tipos de olhos secos.
Conforme a diretora-superintendente do Instituto de Olhos Freitas, Mônica Freitas, o uso desnecessário de colírios pode provocar problemas como a catarata, glaucoma, ceratites e até mesmo o olho seco.
Tecnologia
O filme lacrimal é reposto a cada piscar de olho que, em situações normais, ocorre a cada 7 à 10 segundos. O uso prolongado do computador faz com que o intervalo entre um piscar e outro se estenda, muitas vezes além de 60 segundos.
Desta maneira, a superfície do olho permanece sem hidratação por tempo prolongado, pois a lágrima evapora mais precocemente, sem ser reposta no tempo adequado.
“O principal cuidado que se deve ter para a proteção da superfície ocular nos usuários constantes de computadores é manter a frequência do piscar e a qualidade dele. O ideal, é piscar 15 vezes por minuto”, salientou Mônica Freitas.
Incidência
De acordo com a Apos (Associação dos Portadores de Olho Seco), não há dados precisos sobre a incidência da doença do olho seco na população brasileira, em decorrência principalmente da ausência de método bem definido de diagnóstico clínico.
Nos Estados Unidos, alguns estudos epidemiológicos sugerem que a doença atinge aproximadamente 10% da população geral, evidenciando a alta prevalência dela.

 

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